Vários veículos da imprensa internacional destacaram a megaoperação das Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro contra a facção Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, que matou pelo menos 64 pessoas, incluindo quatro policiais. Movimentos de direitos humanos classificam a operação como chacina e questionam sua eficácia como política de segurança. O grande número de vítimas também foi criticado pelo Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, que se disse "horrorizado" com a operação nas favelas. O jornal britânico The Guardian disse que se trata do "pior dia de violência da história do Rio". "A operação policial realizada antes do amanhecer [de terça-feira (28/10)] — a mais sangrenta da história do Rio — desencadeou intensos tiroteios dentro e ao redor das favelas do Alemão e da Penha, que abrigam cerca de 300 mil pessoas", afirmou o jornal. O Guardian também afirmou que pela primeira vez o Comando Vermelho teria usado drones armados para lançar explosivos contra equipes das forças especiais. Policiais militares em operação contra o Comando Vermelho no Rio Megaoperação contra Comando Vermelho no Rio: moradores recolhem mais de 50 corpos; o que se sabe até agora Homens algemados Como Comando Vermelho surgiu e se espalhou pelo Brasil Mulheres chorando Como imprensa internacional noticiou megaoperação que matou mais de 60: 'pior dia de violência na história do Rio' Membros de unidade especial da PM fazem patrulha em uma rua após operação policial na favela da Penha, em 28/10/25 'Rio virou um abrigo para chefe do tráfico do Brasil inteiro', diz autor de livro sobre crime organizado E destacou que o número de armas apreendidas sinaliza que o grupo está fortemente armado. "Mais de 80 pessoas foram presas e pelo menos 93 fuzis automáticos foram apreendidos. As armas são um sinal do poderoso arsenal que os traficantes de drogas do Rio acumularam desde que começaram a dominar as favelas no final da década de 1980", afirma a reportagem. O jornal britânico Financial Times também destacou a operação "mais letal da história da cidade" em uma reportagem. "A operação nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade, evidencia o crescente problema do crime organizado no Brasil e em toda a região", afirma o texto. "A ação ocorreu dias antes de o Rio de Janeiro sediar eventos relacionados à COP30, a cúpula climática que acontecerá no porto amazônico de Belém no próximo mês." O jornal também destacou que "o aumento do consumo de cocaína na Europa e nos EUA impulsionou a expansão dos cartéis de narcotráfico sul-americanos, cujas conexões transnacionais alarmaram as autoridades". A reportagem também lembra que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, priorizou o combate ao fluxo de narcóticos da América Latina, com ataques a barcos no litoral do continente. "Autoridades do governo Trump informaram seus homólogos brasileiros no início deste ano que Washington estava considerando designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo como organizações terroristas", diz o Financial Times. O jornal americano The New York Times destacou a declaração do governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, de que a operação foi contra "narcoterroristas". "A declaração do governador ecoou um termo que se tornou central na campanha contínua do presidente Trump contra o narcotráfico na América Latina", diz a reportagem do New York Times. "No Brasil, isso foi visto por alguns como uma tentativa de Castro, um aliado de extrema-direita do ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de obter vantagens políticas com a questão do crime organizado, um importante tema de debate entre os conservadores." O jornal também lembrou que EUA e Brasil estão em um processo de negociação do tarifaço imposto pelo governo Trump, e que essas conversas são lideradas pelo secretário de Estado, Marco Rubio — a mesma autoridade americana encarregada de lidar com as operações contra traficantes na América Latina. O New York Times também destacou os amplos efeitos da operação no cotidiano da cidade. "A violência de terça-feira se espalhou para outras áreas da periferia operária do Rio; membros de gangues retaliaram usando ônibus para bloquear ruas. Universidades cancelaram aulas, empresas de ônibus retiraram suas frotas e importantes vias, incluindo uma que leva ao aeroporto internacional da cidade, foram fechadas", noticiou. O jornal espanhol El País destacou que a violência foi grande até mesmo para uma cidade que já está "acostumada à violência". "O Rio de Janeiro, destino turístico, antiga capital e lar de seis milhões de pessoas, é simultaneamente uma cidade de grande desigualdade e acostumada à violência, mas os níveis de força empregados na terça-feira foram extraordinários até mesmo para os moradores locais", escreveu o jornal espanhol. "O enorme contingente policial foi recebido com intenso tiroteio por membros do Comando Vermelho, que chegaram a lançar granadas de drones contra os policiais." O jornal afirma que "o derramamento de sangue no Rio ocorreu justamente quando o Brasil se prepara para sediar a COP30, a cúpula global sobre mudanças climáticas, que começa na próxima semana em Belém, na Amazônia, a mais de 3 mil quilômetros de distância". O El País também afirma em sua reportagem que "a polícia brasileira é considerada uma das mais letais do mundo". "Cerca de 10% das mortes violentas são atribuídas a policiais. A polícia do Rio, tanto municipal quanto estadual, destaca-se nacionalmente há anos por seu alto índice de mortalidade. O uso crescente de câmeras corporais tem contribuído para a redução de mortes em confrontos armados com criminosos", afirma a reportagem.
Crédito,Reuters
Legenda da foto,Megaoperação no Rio de Janeiro foi destaque na imprensa internacional
Há 5 horas
Vários veículos da imprensa internacional destacaram a megaoperação das Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro contra a facção Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, que matou pelo menos 64 pessoas, incluindo quatro policiais.
Movimentos de direitos humanos classificam a operação como chacina e questionam sua eficácia como política de segurança. O grande número de vítimas também foi criticado pelo Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, que se disse \horrorizado\ com a operação nas favelas.
O jornal britânico The Guardian disse que se trata do \pior dia de violência da história do Rio\.
\A operação policial realizada antes do amanhecer [de terça-feira (28/10)] — a mais sangrenta da história do Rio — desencadeou intensos tiroteios dentro e ao redor das favelas do Alemão e da Penha, que abrigam cerca de 300 mil pessoas\, afirmou o jornal.
E destacou que o número de armas apreendidas sinaliza que o grupo está fortemente armado.
\Mais de 80 pessoas foram presas e pelo menos 93 fuzis automáticos foram apreendidos. As armas são um sinal do poderoso arsenal que os traficantes de drogas do Rio acumularam desde que começaram a dominar as favelas no final da década de 1980\, afirma a reportagem.
O jornal britânico Financial Times também destacou a operação \mais letal da história da cidade\ em uma reportagem.
\A operação nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade, evidencia o crescente problema do crime organizado no Brasil e em toda a região\, afirma o texto.
\A ação ocorreu dias antes de o Rio de Janeiro sediar eventos relacionados à COP30, a cúpula climática que acontecerá no porto amazônico de Belém no próximo mês.\
O jornal também destacou que \o aumento do consumo de cocaína na Europa e nos EUA impulsionou a expansão dos cartéis de narcotráfico sul-americanos, cujas conexões transnacionais alarmaram as autoridades\.
A reportagem também lembra que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, priorizou o combate ao fluxo de narcóticos da América Latina, com ataques a barcos no litoral do continente.
\Autoridades do governo Trump informaram seus homólogos brasileiros no início deste ano que Washington estava considerando designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo como organizações terroristas\, diz o Financial Times.
O jornal americano The New York Times destacou a declaração do governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, de que a operação foi contra \narcoterroristas\.
\A declaração do governador ecoou um termo que se tornou central na campanha contínua do presidente Trump contra o narcotráfico na América Latina\, diz a reportagem do New York Times.
\No Brasil, isso foi visto por alguns como uma tentativa de Castro, um aliado de extrema-direita do ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de obter vantagens políticas com a questão do crime organizado, um importante tema de debate entre os conservadores.\
O jornal também lembrou que EUA e Brasil estão em um processo de negociação do tarifaço imposto pelo governo Trump, e que essas conversas são lideradas pelo secretário de Estado, Marco Rubio — a mesma autoridade americana encarregada de lidar com as operações contra traficantes na América Latina.
O New York Times também destacou os amplos efeitos da operação no cotidiano da cidade.
\A violência de terça-feira se espalhou para outras áreas da periferia operária do Rio; membros de gangues retaliaram usando ônibus para bloquear ruas. Universidades cancelaram aulas, empresas de ônibus retiraram suas frotas e importantes vias, incluindo uma que leva ao aeroporto internacional da cidade, foram fechadas\, noticiou.
O jornal espanhol El País destacou que a violência foi grande até mesmo para uma cidade que já está \acostumada à violência\.
\O Rio de Janeiro, destino turístico, antiga capital e lar de seis milhões de pessoas, é simultaneamente uma cidade de grande desigualdade e acostumada à violência, mas os níveis de força empregados na terça-feira foram extraordinários até mesmo para os moradores locais\, escreveu o jornal espanhol.
\O enorme contingente policial foi recebido com intenso tiroteio por membros do Comando Vermelho, que chegaram a lançar granadas de drones contra os policiais.\
O jornal afirma que \o derramamento de sangue no Rio ocorreu justamente quando o Brasil se prepara para sediar a COP30, a cúpula global sobre mudanças climáticas, que começa na próxima semana em Belém, na Amazônia, a mais de 3 mil quilômetros de distância\.
O El País também afirma em sua reportagem que \a polícia brasileira é considerada uma das mais letais do mundo\.
\Cerca de 10% das mortes violentas são atribuídas a policiais. A polícia do Rio, tanto municipal quanto estadual, destaca-se nacionalmente há anos por seu alto índice de mortalidade. O uso crescente de câmeras corporais tem contribuído para a redução de mortes em confrontos armados com criminosos\, afirma a reportagem.
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